
Patrono : Antero de Quental
Académico : José Manuel Cabrita Neves.
Cadeira : 07
Apogeu Poético : Homenagem Póstumas ao patrono AVL Antonio Aleixo.
Tema : Poeta Visionário.
HOMENAGEM AO POETA ANTÓNIO ALEIXO, relembrando a data do seu falecimento 16 de Novembro de 1949.
Apesar de mal saber ler e escrever, as suas quadras e peças de teatro revelam uma consciência da vida, cheia de carências do povo em geral e do poeta em particular.
É digno de um lugar de destaque no processo de mudança de mentalidades, preconizando nos seus versos, uma óptica mais socializante da sociedade e inferindo em forma capciosa a sua sensibilidade sobre a miséria que o rodeava e directamente o atingia. Também a sua obra teve uma acção preponderante indo de encontro ao pensamento e sentimento do povo, com a habilidade de se impor sem que fosse punido pelo forte regime policial da altura.
Desde cauteleiro (vendedor de loterias), Guardador de rebanhos de cabras, policia, servente de construção civil em França, a cantador em Feiras e mercados, tudo foram tentativas de ganhar o pão para alimentar a família mas nada foi suficiente para alterar a sua extrema magreza, a morte de uma filha com tuberculose e por fim, a sua própria morte com a mesma doença.
E António Aleixo escreveu:
Não acho maior tortura,
Nem nada mais deprimente,
Que ter de chamar fartura
À fome que a gente sente
Bate a fome à porta deles
E é lá mais mal recebida
Do que na casa daqueles
Que a sofreram toda a vida.
Tu já viste a “poesia”
Que há numa casa sem ceia,
Nem azeite na candeia,
Nem luz, se morre a do dia?...
São estas, como tantas outras quadras que deixam perceber a vida miserável mas ao mesmo tempo resignada de António Aleixo.
Consultei o Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, Edição Bertrand e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa 2ª Edição revista e ampliada da Editora Nova Fronteira para ver o significado da palavra VISIONÁRIO e em ambos os dicionários o significado de Visionário é o seguinte: Relativo a visões, Que tem ideias extravagantes, Excêntrico, aquele que tem visões ou acredita ver fantasmas, Devaneador, Utopista.
Sabendo como o poeta António Aleixo viveu, não consigo ver que tivesse Ideias extravagantes, que fosse excêntrico, que acreditasse ver fantasmas, que tivesse devaneios nem que fosse utópico.
Apenas em sentido figurado do termo visionário se poderá entender que tenha sido um IDEALISTA já que nem Sonhador a vida lhe permitiu ser.
António Aleixo foi sobretudo um ser humano que primava pela HUMILDADE e HONESTIDADE. Eis mais esta quadra que confirma a sua humildade.
Aqui não valho um vintém,
Longe daqui sou dif’rente;
Se vou onde vai alguém
Às vezes pareço gente
GLOSA
Neste mundo a que pertenço,
Sendo pessoa de bem,
Cada vez mais me convenço,
“Aqui não valho um vintém”!
Onde todos me conhecem
Por ser pobre e transparente;
De que existo, até se esquecem!
“Longe daqui sou dif’rente”!
Sou visto de outra maneira,
Sem o habitual desdém:
Mas de forma hospitaleira,
“Se vou onde vai alguém”!
Achando-me sem valor,
Honesta e humildemente,
Junto de gente “maior”,
“À s vezes pareço gente”!...
José Manuel Cabrita Neves
Carnaxide, 16 de Novembro de 2016
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