Patrono: Manuel Maria Barbosa du Bocage
Académica: Maria João Brito de Sousa
Cadeira: 06
Apogeu Poético - Clássico - 05
SOLIDARIEDADE
(Décimas)
I
Solidários, persistimos
em ser para além de nós
e, onde chega a nossa voz,
estarão os que nunca vimos,
mas sabemos e sentimos
que estão fracos, que estão sós,
ou nessa miséria atroz
que, por vezes, consentimos
quando, loucos, consumimos
no papel do "grande algoz"
II
Que nos tornou consumistas,
muito além do razoável,
numa insânia favorável
aos grandes capitalistas,
aos donos das "vãs conquistas"
sobre o Homem-vulnerável,
confuso, insensato, instável,
com fraquezas (im)previstas
forjando assaltos, sem "pistas",
ao que haja de mais rentável...
III
Solidários? Sê-lo-emos
mal a consciência ouçamos
dizer-nos que sobram amos
ao tão pouco qu`inda temos...
"Vemos, ouvimos e lemos"*
mas o certo é que deixamos
que nos levem "nos enganos"
e, sejamos mais ou menos
donos do que nós julguemos,
nunca ouçamos quem sabemos
qu`rer roubar quanto ganhamos!
IV
Arma-se armadilha imensa
contra a própria humanidade
que, ao perder fraternidade,
ganha a extinção, por sentença...
Há quem pense qu`inda pensa
estar a comprar liberdade,
quando compra, na verdade,
uma mentirola apensa
ao "poder" que lha dispensa...
Resta a solidariedade!

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