Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 18.
Evento : Meu Patrono Visto Por Mim
A obra de Paulo Coelho é um sucesso editorial, é um fenômeno
editorial. Mas não é só isso. Sua obra é marcada por um estilo próprio que,
mesmo quando contestado ou criticado, transpassa como água límpida e
cristalina, tão simples como o sol de verão, banhando com seus raios quem
aproveita o bem estar ao ar livre.
Sendo um dos 20 escritores mais lidos do mundo, juntamente com Gabriel García
Márquez ou Umberto Eco, Paulo Coelho apresenta em sua literatura o que pode ser
considerada por muitos, trivial. Porém numa leitura mais detalhada, é percebido
que o seu charme new age que vem de encontro da sede de transcendência e de
metafísica – e de lucidez – só poderia utilizar-se de uma linguagem simples,
sintética e objetiva para efetivar esse tipo de abordagem estilística. A forma
é o conteúdo e o conteúdo é a forma. Por que dizer esotérico e dizer hermético,
é dizer difícil e complexo. Só pode ser soletrado pelo leitor médio
contemporâneo junto com simplicidade e fluidez.
A saída fácil que alguns afirmam sobre a obra do autor, não se sustenta.
Escrever sobre sentimentos humanos com um caldo de cultura new age e de
espiritualidade profunda não é tarefa fácil. É para quem conhece e dialoga com
os meandros da escrita em consonância com o sonho da conspiração mística e com
a literatura atual ao mesmo tempo. É para quem sabe da importância de
pesquisadores do esotérico e da contracultura como Alan Watts, Osho, Krishnamurti,
Fritoj Capra, dentre outros pensadores e iluminados que revolucionaram nossa
forma de sentir a vida no século XX e consequentemente nossas existências no
atual século XXI.
Vejamos os seguintes trechos de As Valkírias de Paulo Coelho:
“[...]Toda tarde, antes que Vahalla viesse chamar Paulo para passear no
deserto, ele e Chris praticavam a canalização, e conversavam com seus anjos.
Embora o canal ainda não estivesse completamente aberto, sentiam a presença da
proteção constante, do amor e da paz. Ouviam frases sem sentido, tinham algumas
intuições, e muitas vezes a única sensação era de alegria – nada mais.
Entretanto, sabiam que conversavam com anjos, e que os anjos estavam
contentes[...].” (As Valkírias, pág 83)
“[...]Um dia chegará em que os que batem na porta verão ela se abrir; os que
pedem, receberão; os que choram, serão consolados[...].” (As Valkírias, págs
236-237)
Segundo Gabriel Perissé, mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH – USP,
“Paulo Coelho é amado em virtude do seu gnosticismo sincrético, seu esoterismo
exotérico, seu catolicismo reencarnacionista, sua sensibilidade agudíssima para
as demandas espirituais e psíquicas do nosso tempo, sua sabedoria tão
despretensiosa [...]”
Numa frase atribuída ao escritor quando se referia a Jorge Luis Borges, o autor
afirma em texto publicado pelo Jornal do Brasil em 27/07/1996, “o negócio é não
complicar.”
Em suma, privilegiando o mistério, o sonho e o oculto, o autor surgiu como um
paradigma, como um exemplo para quem busca respostas mais “elevadas” num
contexto social desequilibrado, ao mesmo tempo individualista e massificante,
tecnologicamente avançado e espiritualmente abandonado, pluralista, mas
tacanho.
A simplicidade é a chave da literatura de Paulo Coelho, que preza tanto pela
boa escrita quanto pela mensagem, pela essência do que está sendo dito,
característica que é encontrada em raríssimas obras literárias hoje em dia.
Referências:
Gabriel Perissé - Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP
e Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico
As Valkirias - livro - Paulo
Coelho - Editora Rocco - Rio de Janeiro - 1995

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